Mentira tem perna curta. A ignorância é uma benção. A carne é fraca. Uma andorinha só não faz verão. Tal pai, tal filho. Todo boato tem um fundo de verdade. Ser mãe é padecer num paraíso. Ri melhor quem ri por último. Quem cala consente. Quem espera sempre alcança. Devagar se vai ao longe.
Se você acredita piamente em algumas dessas máximas populares (e existem inúmeras outras que eu poderia apresentar), também deve ter o costume de jogar merda no ventilador. Explico: nenhuma delas pode ser verdade absoluta e, portanto, não são representantes da verdade. Mas pra quê isso? Para apresentar a vocês o comparativo entra a verdade ruim e a mentira boa.
Mentira boa é aquela que dura muito (nem todas têm perna curta). Pode ser também aquela que fazemos para proteger (a quem? aos outros ou a nós mesmos?). É aquela que a pessoa conta com convicção, não aquela que conta alguém com o sestro de revirar os olhos para o canto superior esquerdo; um mentiroso compulsivo (só ele não desconfia que todos o conhecem) nunca conta uma mentira boa. Existem mentiras maravilhosamente boas, como aquelas sobre vidas: mamãe casada, não conte que seu filho é só seu. Mentira boa pode ter as pernas mais longas do mundo, e tropeça. Invariavelmente.
Verdade ruim. Ô bad news, ô bullshit, mas é verdade. Como o próprio nome está dizendo, verdade ruim é aquela que não queremos saber (porque a ignorância é uma benção, não?). Mas se pesquisarmos direito, saberemos aristotelicamente que não pode ser outra coisa senão uma verdade. E que serve para aprender. Aprender a parar de ser covarde, na maioria das vezes. Verdades são absolutas, não há relativos. Ao processar uma verdade você obtém outra, incrivelmente do mesmo tamanho e forma. Se sai diferente, é mentira boa.
É verdade que verdades ruins agridem a sua esperança. Mas é real que uma belíssima mentira boa é a porta de entrada do mundo da fantasia, e que você sairá de lá, cedo ou tarde, com uma estrondosa, gigantesca, fenomenal e violentíssima verdade ruim. Eu particularmente prefiro levar um tapa na cara a perder uma perna.
Para finalizar esta lógica, não há como deixar de pensar que (você já pensou nisso?): quem conta uma mentira boa jamais terá credibilidade para contar uma verdade, boa ou ruim. Já quem conta uma verdade ruim pode ser, a princípio, tachado de chato (olha só que pena mínima), mas tem toda a liberdade de ir e vir, sempre.
Então, não seria correto dizer que toda verdade é boa e toda mentira é ruim?
Presente que eu ganhei muuuito Obrigado³

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